As Rendas de Bilros de Vila do Conde voltam a afirmar-se num dos mais importantes certames dedicados ao artesanato nacional. A rendilheira vilacondense Isabel Carneiro participa no Concurso da FIA – Feira Internacional do Artesanato 2026, em Lisboa, com duas peças que evidenciam a versatilidade, a inovação e a extraordinária riqueza técnica desta arte secular.
Na categoria de Artesanato Contemporâneo, apresenta a peça «Estrelas do Mar», executada em fio metalizado dourado. Já na categoria de Artesanato Tradicional, concorre com «O Abraço», uma almofada decorativa em linho alentejano n.º 50 bege, enriquecida com uma delicada aplicação em Rendas de Bilros.
Detentora de um percurso reconhecido na promoção das Rendas de Bilros de Vila do Conde, Isabel Carneiro tem sido presença assídua em eventos nacionais e internacionais de valorização do património artesanal português. A sua atividade estende-se à orientação de workshops, demonstrações ao vivo e ações de sensibilização junto de diferentes públicos, contribuindo de forma ativa para a transmissão deste saber-fazer ancestral às novas gerações. Tem ainda representado as Rendas de Bilros em iniciativas de relevo em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente em certames internacionais, feiras de turismo e projetos de divulgação das artes e ofícios tradicionais.
Com origens documentadas em Vila do Conde há mais de quatro séculos, as Rendas de Bilros constituem uma das mais notáveis expressões da tradição têxtil portuguesa. Ligadas à identidade marítima e piscatória da comunidade vilacondense, distinguem-se pela utilização de múltiplos bilros de madeira, que se entrelaçam sobre uma almofada cilíndrica, dando origem a desenhos de grande complexidade e refinamento técnico. Atualmente, assumem-se como um património vivo, cuja preservação e valorização têm sido promovidas pela Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde (ADAPVC), fundada precisamente com o propósito de salvaguardar e divulgar esta arte secular.
A participação de Isabel Carneiro na FIA 2026 representa, por isso, muito mais do que uma presença num concurso de artesanato. Constitui um momento de afirmação das Rendas de Bilros de Vila do Conde enquanto património de excecional valor cultural, artístico e identitário, projetando nacionalmente um saber-fazer que continua a ser tecido fio a fio pelas mãos das rendilheiras vilacondenses.


