Vila do Conde assinala, no próximo dia 17 de outubro, o Dia Internacional do Património Cultural Imaterial com um programa dedicado a duas das mais emblemáticas expressões da sua identidade: as Rendas de Bilros e a Construção Naval em Madeira.
Oficinas, visitas guiadas e recriações históricas convidam a comunidade a descobrir os saberes e as tradições que atravessam gerações e continuam a fazer parte da vida do concelho.
Profundamente ligadas à história marítima de Vila do Conde, a Construção Naval em Madeira e as Rendas de Bilros são dois exemplos de um património que se mantém vivo através das mãos, do conhecimento e da experiência dos seus praticantes. Duas artes distintas, mas com raízes numa mesma comunidade, cuja relação com o mar marcou, ao longo dos séculos, a economia, a cultura e a identidade local.
A Construção Naval em Madeira, documentada em Vila do Conde há mais de cinco séculos, conheceu um período de grande desenvolvimento durante a expansão marítima portuguesa, nos séculos XV e XVI. Dos estaleiros instalados nas margens do rio Ave saíram embarcações destinadas à navegação comercial, à pesca e às viagens ultramarinas. O conhecimento dos mestres carpinteiros navais, transmitido de geração em geração, deu origem a uma tradição técnica de reconhecido valor patrimonial, inscrita desde 2021 no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
As Rendas de Bilros de Vila do Conde, cuja presença está documentada pelo menos desde 1616, constituem outra expressão singular deste património. Tradicionalmente associada às comunidades piscatórias e à vida familiar, a arte de entrelaçar fios através do movimento dos bilros desempenhou um importante papel económico e social, afirmando-se como um dos principais símbolos culturais da cidade. Preservada e transmitida ao longo dos séculos, continua hoje a ser praticada pelas rendilheiras, que asseguram a continuidade de técnicas, desenhos e conhecimentos tradicionais.
Estas duas artes representam saberes em permanente transmissão, cuja continuidade depende da valorização dos seus praticantes, da aprendizagem por novas gerações e da criação de oportunidades para a sua divulgação.

Um dia para conhecer e experimentar o património
O programa comemorativo de 17 de outubro proporciona diferentes experiências de contacto com estas tradições.
Entre as 10h00 e as 12h00, o Polo 1 do Centro de Artes Náuticas, na Praça José Régio, estará aberto a visitas, permitindo conhecer o trabalho desenvolvido na preservação e transmissão dos conhecimentos associados à construção naval tradicional.
Às 10h30, António José Carmo orienta uma visita guiada à exposição «Com o risco se faz um barco», patente na Loja Interativa de Turismo / Casa do Barco, dando a conhecer o processo de conceção das embarcações e a importância do desenho técnico na construção naval em madeira.
As Rendas de Bilros estarão em destaque nas oficinas, agendadas para as 11h00 e as 15h00, na Escola de Rendas / Museu das Rendas de Bilros, proporcionando aos participantes a oportunidade de contactar diretamente com esta arte e experimentar os seus instrumentos e técnicas.
Entre as 15h00 e as 16h00, uma recriação de fotografias de arquivo recuperará uma das imagens mais características da tradição rendilheira: as mulheres que, sentadas à porta das suas casas, trabalhavam as rendas de bilros, numa prática que fazia parte do quotidiano e da sociabilidade das comunidades locais.
Ao longo do dia, a entrada será gratuita na Alfândega Régia – Museu de Construção Naval, Nau Quinhentista, Museu das Rendas de Bilros, Casa de José Régio e Centro de Memória.
As visitas guiadas e as oficinas requerem inscrição prévia, sujeita a confirmação, através do endereço eletrónico museus@cm-viladoconde.pt.
