As Rendas de Bilros de Vila do Conde estarão presentes na 2ª edição do Mercado do Património Cultural Imaterial, a realizar no Jardim Municipal de Estremoz, entre 5 e 7 de junho.
A Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde regressa a Estremoz para levar as Rendas de Bilros ao Mercado do Património Cultural Imaterial, cuja 2.ª edição decorre entre 5 e 7 de junho, no Jardim Municipal de Estremoz.
O evento, promovido pelo Município de Estremoz e pela Confraria do Boneco de Estremoz, reúne mestres e representantes de diferentes saberes-fazer tradicionais portugueses, afirmando-se como uma montra nacional dedicada à valorização, transmissão e salvaguarda do património cultural imaterial.
Depois da participação na edição de 2025, as Rendas de Bilros voltam a Estremoz como uma das expressões mais emblemáticas do artesanato tradicional português e como símbolo maior da identidade cultural de Vila do Conde. A presença da ADAPVC neste mercado representa uma oportunidade para dar a conhecer ao público a delicadeza técnica, a complexidade do gesto e a dimensão histórica de uma arte secular, transmitida entre gerações e profundamente ligada à memória social, económica e afetiva da comunidade vilacondense.
A participação assume este ano uma relevância particular, numa altura em que se encontra em curso o processo de inscrição das Rendas de Bilros de Vila do Conde no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
Mais do que a apresentação de peças, a presença em Estremoz permite valorizar o próprio processo de manufatura das Rendas de Bilros: o domínio dos bilros, o desenho do pique, a precisão dos movimentos, a paciência da execução e o conhecimento acumulado pelas rendilheiras ao longo de décadas. É neste saber vivo, feito de técnica, memória e continuidade, que reside o verdadeiro valor patrimonial das Rendas de Bilros de Vila do Conde.
O Mercado do Património Cultural Imaterial nasceu precisamente com esse propósito: reunir, num mesmo espaço, diferentes expressões identitárias das várias regiões do país, promovendo o contacto direto entre o público e os mestres do saber-fazer.
Para a ADAPVC, esta participação reforça o trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas na defesa, promoção e reconhecimento das Rendas de Bilros de Vila do Conde. Fundada em 1984, a associação tem desempenhado um papel central na preservação desta arte tradicional, através da organização de iniciativas culturais, ações de divulgação, projetos de valorização e atividades que contribuem para manter viva uma prática profundamente enraizada no território.
Num momento em que o processo de inscrição no INPCI procura consolidar o reconhecimento formal das Rendas de Bilros enquanto património cultural imaterial, a presença em Estremoz ganha também uma dimensão estratégica. Participar num evento dedicado aos grandes saberes-fazer nacionais é afirmar as Rendas de Bilros de Vila do Conde no mapa do património português, reforçando a sua visibilidade pública e sensibilizando novos públicos para a premência da sua salvaguarda.
A inscrição no INPCI constitui um passo determinante para garantir a proteção, documentação e transmissão desta tradição, mas também para abrir caminho a uma ambição maior: a futura candidatura das Rendas de Bilros de Vila do Conde à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, objetivo já assumido pela ADAPVC no âmbito deste processo.

